Ao desenvolvermos o projecto Mokidros, necessitámos de separar os machos das fêmeas, para que não houvesse cruzamentos indesejados. Desta forma, foi também possível identificar as moscas virgens.
Para isso foi essencial termos conhecimento das principais diferenças morfológicas dos dois sexos, uma vez que estas apresentam dimorfismo sexual.
Atendendo às características morfológicas gerais, foi-nos possível observar um corpo dividido em cabeça, tórax e abdómen. O tórax está dividido em três segmentos, sendo que cada um possui um par de patas. O segundo segmento do tórax é constituído por um par de asas, que são finas e membranosas, e o terceiro segmento por halteres. Os pêlos espalhados pelo corpo e os olhos compostos multifacetados são outras duas características observáveis, por lupa, das moscas da fruta.
As principais características que distinguem os dois sexos são o tamanho relativo do corpo, sendo o da fêmea maior; a extremidade do abdómen, que no macho é negra e mais arredondada e na fêmea é típica de listas claras e escuras e menos arredondada; a parte ventral, que no macho é constituída por pénis e arco genital e na fêmea por uma placa vaginal; a presença de um pente sexual na base do metatarso do par de patas anterior, no macho, e a ausência deste na fêmea. As fêmeas virgens distinguem-se ainda das não-virgens por um corpo mais claro; a presença de uma mancha escura na parte posterior do abdómen, numa posição lateral e asas pouco distendidas.
Aquando da separação dos dois sexos, tivemos, sobretudo, em atenção duas características: o tamanho do corpo e se o abdómen apresentava uma extremidade negra ou listas claras e escuras, uma vez que estas são as características de mais fácil observação. A identificação das virgens foi feita apenas pela verificação da presença da mancha escura no abdómen.
De modo a procedermos à separação dos machos e das fêmeas, foi necessário anestesiarmos as moscas, com recurso a éter. Para tal, perfurámos um tubo de Falcon, com uma agulha previamente aquecida; colocámos algodão no interior do frasco (câmara de adormecimento), reaproveitado de um sumo néctar; introduzimos umas gotas de éter, embebendo o algodão; colocámos o tubo de Falcon dentro do frasco, assegurando que não havia contacto com o algodão; colocámos uma meia de nylon na extremidade do funil e, por fim, inserimo-lo dentro do tubo.
Ao fim de algum tempo, após depositarmos as moscas, estas adormeciam. Uma das vezes, devido à resistência a adormecerem, deixámos as moscas durante mais tempo do que seria, teoricamente, necessário, pelo que ocorreu um imprevisto: as moscas permaneceram anestesiadas durante bastante tempo, o que até nos levou a pensar que estariam mortas. No entanto, acordaram um pouco mais tarde, o que nos deixou aliviados. Desta experiência podemos concluir que é difícil o equilíbrio entre o adormecimento da Drosophila por éter e a sua morte exposição prolongada.
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